Logo pela manhã, no primeiro dia do ano choveu.
Deixei a chuva me molhar, pra levar embora tudo que ainda
restava do ano anterior.
Senti - me leve, como a muito não sentia , acendi meu cigarro e continuei
a caminhar, a chuva havia passado.
O vento gelado e o aroma de terra molhada que ficam são sempre melhor.
Caminhei por um longo período sem rumo, meu cigarro havia acabado, então procurei uma
cafeteria , entrei na primeira que encontrei.
Tomei meu primeiro café , e pensei , o primeiro de muitos que virão , e dei um belo sorriso irônico , de um pensamento patético .
La fora deu um baita estrondo ao qual me assustou ,
e me trouxe a realidade.
Meu cafe havia esfriado , tocava um blues suave, ao qual não me recordo quem cantava, abri meu jornal , olhei as pessoas em volta muitas ainda com cara de sono, ou melhor de tédio, sim essa é a cara das pessoas pela manha.
A vida de certa maneira virou uma rotina , a qual já estamos entediados.
Olhando meu jornal, entristeci , como pode tanta desgraça sensacionalista juntas assim ? E ha quem se diverte com elas , mas eu entendo noticias assim fazem o ganha pão de alguém.
Como percebem , penso demasiado, a garçonete me surpreendeu, paguei a conta e sai, olhei aquele céu cinzento logo cedo e sorri.
Desejei novamente um banho de chuva , ao qual não obtive resposta , meu chapéu balançava com o vento, crianças brincavam correndo pra la e pra cá, que nostalgia da minha infância.
Lembrei-me que estava atrasado para o trabalho, eu um homem em sua juventude precisa trabalhar, mas gostaria de ser mais valorizado.
Entretanto na redação, vendo o quanto de noticia ruim havia para ser editada que me toquei, quem publica tanta noticia ruim é sensacionalista sou eu .. Sou eu o deprimente espalhador de tristeza, ou sou eu que os mostra a realidade em meio a tantos sonhos ? Não saberei.
Beatriz